Enquanto lixo se acumula nas ruas, dinheiro público é usado para perguntar se o serviço está bom.
Acredite se quiser: com Aracaju enfrentando sérios problemas na coleta de lixo — com sacolas se amontoando em calçadas, pontos de descarte irregular e bairros inteiros à espera de caminhões — a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (EMSURB) resolveu aplicar R$ 41.200,00 em uma pesquisa de opinião para saber se a população está satisfeita com o serviço.
Isso mesmo. Ao invés de investir diretamente na melhoria da coleta, como na ampliação das rotas, reforço da frota ou contratação de mais garis, a autarquia municipal preferiu gastar dinheiro público para perguntar se o trabalho está sendo bem feito.
O contrato, publicado recentemente no Diário Oficial, prevê a contratação de uma empresa especializada para aplicar questionários de avaliação da limpeza urbana. O levantamento visa medir a “satisfação dos usuários com os serviços prestados”.
Para muitos moradores, soa como provocação.
“A rua aqui do bairro São Conrado vive cheia de lixo. A coleta não passa direito, e a Prefeitura quer saber se a gente está satisfeito? Parece piada”, comenta Dona Marinalva, moradora há mais de 20 anos na região.
Gestão ou marketing?
A crítica geral é que a medida representa uma tentativa de maquiar a realidade com números — quando o que a cidade precisa é de ação concreta. Afinal, o mau estado da limpeza urbana não exige pesquisa, basta andar por Aracaju para ver.
O questionamento é inevitável: vale a pena investir mais de R$ 41 mil para saber o que todo mundo já sabe? Ou melhor: por que perguntar sobre um serviço que visivelmente não está sendo bem executado?
Enquanto isso, os aracajuanos seguem convivendo com a sujeira, com o risco à saúde pública e com a certeza de que o dinheiro do contribuinte poderia — e deveria — estar sendo melhor utilizado.











