Nesta quinta-feira, 30, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Nossa Senhora do Socorro concluiu uma força-tarefa que garantiu atendimento especializado a crianças neuroatípicas que aguardavam há anos na fila do município. A ação, realizada ao longo do mês de abril, contemplou mais de 50 pacientes, muitos deles à espera por mais de dois ou três anos.
Os atendimentos foram organizados em três momentos. No dia 17 de abril, no Núcleo de Atendimento Educacional Especializado (NAEE), vinculado à Secretaria Municipal da Educação (Semed), na sede do município, na última segunda-feira, 27, na Unidade Básica de Saúde (UBS) Gabriel Alves, no bairro Fernando Collor, e, por fim, nesta quinta-feira, 30, na UBS Maria Helena, localizada no Marcos Freire I.
A secretária municipal da Saúde, Adriana Menezes, destacou que a iniciativa foi pensada para enfrentar a demanda reprimida e ampliar o acesso ao diagnóstico e acompanhamento especializado. “Temos um número significativo de crianças no município, com diagnóstico ou ainda em processo de investigação, que enfrentavam dificuldade para acessar esses serviços. Intensificamos os atendimentos durante o mês de abril, ampliamos a contratação de neuropediatras e fortalecemos a equipe multiprofissional para garantir mais cobertura e qualidade no cuidado”, afirmou.
De acordo com a gestora, a ação garantiu avaliação especializada e acompanhamento multiprofissional. “Esses pacientes passaram por avaliação com neuropediatra e por uma equipe completa, o que permite não apenas fechar diagnóstico, mas também assegurar o encaminhamento adequado dentro da rede”, completou.
Ao todo, 50 crianças que estavam na fila até 2024 e início de 2025 foram atendidas nas três etapas da ação. Durante os atendimentos, os pacientes passaram por avaliação com neuropediatra, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista e terapeuta ocupacional.
A diretora da Atenção Especializada, Êmmely Souza, explicou que a estratégia priorizou os casos mais antigos, com maior tempo de espera. “Buscamos aqueles pacientes que estavam no que chamamos de ‘limbo do esquecimento’, aguardando há muito tempo. Fizemos contato com as famílias e garantimos esse primeiro atendimento, com encaminhamento completo para continuidade do cuidado dentro da rede municipal”, explicou.
Nova unidade especializada
Atualmente, o município conta com três Centros de Especialidades Médicas (CEM) em funcionamento nos bairros João Alves, Fernando Collor e Parque dos Faróis com equipes multiprofissionais e atendimento em neuropediatria. A previsão é de que o Centro de Especialidades Municipal de Neurodesenvolvimento (CEMN) seja inaugurado em breve, no bairro Jardim.
Famílias relatam acolhimento e alívio
Para muitas famílias, a ação representou o fim de uma longa espera. O técnico de iluminação Roberto Linhares, pai do pequeno Gustavo, diagnosticado com autismo, destacou a importância do atendimento. “Tem um ano que eu estava esperando. A Secretaria entrou em contato comigo e achei a iniciativa muito boa. Hoje está tudo muito difícil, mas agora me sinto acolhido. Estava faltando esse cuidado em Socorro”, relatou.
A dona de casa Alice Santos, mãe de Nicolas, de 6 anos, também celebrou o atendimento. Moradora do bairro Sobrado, ela contou que o filho nunca havia passado por avaliação de um neuropediatra. “O atendimento está perfeito. Fui muito bem recebida e consegui passar pelo psicólogo, nutricionista, neuropediatra e fonoaudiólogo em uma única tarde. Isso tirou muitas dúvidas e trouxe um grande alívio para mim”, disse. Já o pequeno Nicolas aprovou a experiência: “Gostei das titias, elas são legais”, comentou.
Esperança renovada
Moradora do Marcos Freire II, Cristiane Modesto aguardava há um ano e sete meses por atendimento para o neto, diagnosticado com autismo e hiperatividade. “Eu já tinha perdido as esperanças. Quando me ligaram, fiquei muito feliz. Ele foi atendido por várias profissionais e o atendimento foi ótimo. Essa iniciativa merece elogios”, afirmou.
Ao final das consultas, as crianças ainda receberam kits de guloseimas, tornando o momento mais leve e acolhedor.
Continuidade das ações
A Secretaria da Saúde avalia a possibilidade de ampliar iniciativas como essa ao longo do ano, com o objetivo de reduzir ainda mais o tempo de espera e garantir assistência contínua às crianças neurodivergentes.
Por Ascom












