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Farinha pouca meu pirão primeiro?

Farinha pouca meu pirão primeiro?

Publicado em 27 de abril de 2023

 

Falta de diálogo é uma coisa que os servidores públicos estaduais não têm do que se queixar. Várias reuniões, com as diversas categorias, têm sido frequentes, desde o início da atual gestão. O que demonstra a efetivação do que, ainda em campanha, o governador Fábio Mitidieri havia se comprometido. Nesses quatro meses de governo, foram várias reuniões realizadas a pedido de diversas classes de servidores. Demandas das mais diversas, por reajuste, condições de trabalho, carreira. Ainda ajustando e conhecendo a máquina estadual, junto com o secretariado, Fábio tem buscado fazer o possível no momento. No entanto, é preciso concordar: nem todos os pleitos podem ser atendidos com uma só canetada em tão pouco tempo. Por isso é preciso reconhecer o esforço da gestão.

Em mais uma reunião com dirigentes do Sintese, o governador propôs que parte do abono temporário – já aprovado pela Assembleia Legislativa – seja incorporada ao salário do magistério. A proposta é que essa incorporação seja gradativa. Nesse primeiro momento, seriam incorporados R$ 100, do total do abono de R$ 932,57, o que garante a segurança jurídica tão cobrada pela categoria. A proposta contempla ainda o reajuste linear de 2,5% para os ativos e aposentados, além de assegurar o compromisso de seguir com as tratativas para a retomada da carreira, no próximo ano.

O reajuste salarial proposto aos professores é o ideal? Talvez não, tendo em vista a importância desses profissionais. E há de se convir que, se fosse possível, certamente o governo proporia um índice maior. Mas, por outro lado, uma coisa precisa ser levada em conta: os professores da rede estadual de Sergipe já recebem, todos, acima do piso salarial nacional da categoria.

O estado é um dos poucos do país que já pagam acima do mínimo permitido por lei. Em Sergipe, o professor da Rede Estadual de Ensino tem a remuneração base de R$ 4.451,14, superior ao piso nacional definido para 2023, fixado em R$ 4.420,55. Aqui no estado, a média de remuneração dos professores da rede é de R$ 7.021,13 e a maior remuneração de um professor, contabilizado todos os benefícios e fora o abono temporário pago, alcança R$ 11.372,84. O salário do professor da rede dedicado ao Ensino Médio de Tempo Integral inicia com R$ 7.337,29 (sem incluir o abono). Valores que conferem aos professores de Sergipe têm os melhores salários entre os estados da Região Nordeste, atrás apenas do estado do Ceará.

Portanto, se tem uma categoria que já vem sendo atendida, é a dos professores. Se o reajuste ainda não é o esperado, pelo menos a classe já vem sendo contemplada, e ainda tem a garantia da manutenção do diálogo com o governo em torno da retomada da carreira. O que não pode é cobrar do governo que seja resolvido tudo em um curto espaço de tempo.
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Por redação Alô Sergipe.

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