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Alessandro Vieira anuncia mandado de segurança para garantir instalação de CPI que vai investigar relação de ministros do STF com Banco Master

Alessandro Vieira anuncia mandado de segurança para garantir instalação de CPI que vai investigar relação de ministros do STF com Banco Master

Publicado em 15 de setembro de 2026

 

O pedido de CPI já reúne 40 assinaturas e segue parado há seis meses na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou nesta terça-feira, 15, que vai impetrar um mandado de segurança para garantir a instalação da CPI destinada a investigar a relação dos ministros do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O requerimento já conta com 40 assinaturas e está na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, há seis meses. O anúncio foi feito durante sessão da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, realizada enquanto os senadores acompanham o julgamento no STF sobre o caso Banco Master.

“Ainda hoje vou entrar com mandado de segurança, novamente, pedindo que o Supremo determine ao presidente da Casa a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito específica para apurar a relação dos ministros com o Daniel Vorcaro”, afirmou Alessandro.

Para o senador, o Senado não pode continuar se omitindo diante das suspeitas envolvendo integrantes da mais alta Corte do país. Ele destacou que a Constituição estabelece mecanismos para que o Legislativo exerça sua função de fiscalização e investigação, inclusive quando os fatos envolvem integrantes do Judiciário. “Essa Casa não pode se omitir da sua responsabilidade. A Constituição é sábia. Não foi à toa que a Constituição abriu para a gente a possibilidade do processamento de crime de responsabilidade”, disse.

Alessandro também lembrou que, desde o início de seu mandato, vem defendendo mecanismos de investigação e fiscalização sobre a atuação de ministros de tribunais superiores. Em fevereiro de 2019, apresentou o requerimento da chamada CPI da Toga, destinada a apurar a conduta de ministros de cortes superiores. Segundo ele, a comissão preenchia os requisitos constitucionais, mas nunca foi instalada.

Dois meses depois, em abril de 2019, o senador apresentou pedidos de impeachment dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Na avaliação do parlamentar, desde então houve uma sucessão de episódios que reforçam a necessidade de investigação sobre relações entre autoridades públicas e interesses privados. “Os fatos que foram apontados em 2019 por mim e pelos 32 senadores e senadoras que assinaram o pedido de CPI permanecem. E a eles foram se somando diversos outros casos”, afirmou.

Alessandro criticou ainda a ausência de uma resposta do comando do Senado ao requerimento da CPI. Segundo ele, Davi Alcolumbre não tem respondido a solicitações formais, ofícios, despachos ou telefonemas relacionados ao tema.

O senador afirmou que a investigação é necessária diante das suspeitas envolvendo autoridades do STF e Daniel Vorcaro e mencionou também os pedidos de acesso ao conteúdo do celular do empresário feitos por ministros da Corte. Para Alessandro, eventuais relações entre ministros, familiares e o empresário precisam ser esclarecidas pelos instrumentos adequados de investigação. “O que nós estamos defendendo é investigação. É justiça e lei para todo mundo”, afirmou. “Acho que nós temos que esgotar todas as possibilidades que a legislação nos permite”, disse.

Para o parlamentar, o caso também precisa ser analisado dentro de um contexto mais amplo de avanço do crime organizado sobre instituições brasileiras. O senador relacionou as suspeitas envolvendo o Banco Master e autoridades do STF ao relatório final da CPI do Crime Organizado, da qual ele foi o relator. “Tudo aquilo que a gente materializou no relatório da CPI do Crime Organizado está em discussão agora no STF. É uma infiltração profunda do crime organizado que chegou às mais altas Cortes. Falo isso desde fevereiro de 2019”, afirmou.

O senador também criticou o que classificou como omissão e cumplicidade de autoridades diante de suspeitas envolvendo as instituições brasileiras e afirmou que a sociedade terá oportunidade de avaliar a postura dos parlamentares nas próximas eleições. “A covardia não merece voto. A cumplicidade não merece voto. E as pessoas estão verificando, com total transparência, quem é cúmplice e quem tenta combater o criminoso”, concluiu.

Por Ascom

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